domingo, 1 de março de 2009

Saquarema

Quando vi, todas as recordações me acompanhavam dentro do ônibus que deixava pra trás toda aquela terra batida e os vinte e cinco dias que passei em Saquarema. Lembro como se fosse hoje a chegada. Eu tinha visto a tarde cair de dentro do carro, atravessando desde o Rio até lá, passando por Niterói, Maricá. As cores do desenho brincavam inquietas enquanto eu tinha a certeza de que eu não voltaria a ver minha casa tão cedo. Não sabia dizer se eu sentiria tanta falta assim, afinal seriam poucos dias longe...nada que me fizesse morrer. Deixei pra trás a casa, o computador, os dias em busca de metas que eu não encontrava nunca, a incerteza do que estava para vir. Saquarema ainda se descortinava como um território desconhecido pra mim. Eu me sentia um estranho qualquer quando cheguei. Tudo era diferente, o ar, as luzes, as casas, o entorno, o vento. Pensava que não me adaptaria ali, esperava chamar alguém para me acompanhar e aplacar a sensação de isolamento. Com o passar dos dias, ficou nítido que eu precisava estar sozinho pois seriam muitas as lutas que eu tinha de enfrentar. Tudo se mostrava transparente como as águas do mar que brincavam e lambiam as areias – eu tinha medo de me lançar, fazer planos para mim e não para os outros admirarem as tantas esculturas de areia que o tempo iria derrubar.

Perdido entre as Itaúnas e Bacaxás, Araruamas e ruas distantes vinha à tona que eu estava distante do que eu queria ser, de quem eu queria ser. Tudo estava correndo bem, mas faltava o ingrediente que fazia a coisa simples se tornar bela aos olhos de quem via: o olhar pra dentro dela e desencavar a beleza escondida. Ultrapassar as dificuldades e opiniões contrárias. Era tão bom caminhar pelas ruas e resgatar um pouco do que eu queria ter sido, olhar o pôr-do-sol na praia sem parecer bobo ou coisa parecida. Deixar a vida correr como se fosse um samba de avenida que eu tinha na ponta da língua. Desvendando o mar bravio de Saquarema, as ondas levando as incertezas para além do oceano imenso e carregado delas. Tirando onda em churrascos, jogos ou abrindo a garganta num bloco simples de Carnaval, realizando pequenas loucuras que nunca fora permitidas. Tudo isso fazia marcas e elas ainda pulsavam quando eu cruzava Omar que liga Niterói ao Rio e o crepúsculo me avisava que as minhas melhores férias tinham acabado. Uma triste lógica misturada pela satisfação de ter realizado algumas coisas e criar outras para realizar. No fim, Saquarema era minha segunda casa e eu mais um habitante que tinha se encontrado nela.

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