Amigos, o futebol é uma caixinha de surpresas. Não, eu não virei flamenguista. Ainda me mantenho botafoguense até o meu último fiapo de cabelo. Mas hoje eu troquei um jogo só pra cumprir tabela por um clássico mais imprevisível que último capítulo de novela das oito. Se lá, o frisson gira em torno da descoberta de um assassino, no Maracanã [mais vermelho e preto do que nunca] ele ficou por conta do desconhecido vencedor do duelo entre Flamengo e Palmeiras.
Rubro-negros e alviverdes, antes do jogo, nutriam um mesmo sentimento: esperança pela luta do título. Quem quer que fosse louvado pelas mãos da deusa Fortuna, daria um passo gigante em direção ao São Paulo [obstáculo forte que bloqueia a taça de campeão] . Dentro da fascinante relva carioca, porcos e urubus brigaram para ver quem ‘voava’ mais alto; ou seja, dentro dos gramados tudo poderia acontecer. Pra bem ou pra mal.
E nem bem as cortinas se levantaram, começou a tragédia do Palmeiras. Quando Marcelinho Paraíba recebeu a bola atrás dos zagueiros adversários, ele não hesitou e incendiou a torcida, ao abrir o placar. Histeria e festa era o nome da torcida do Flamengo. Como se trata de um clássico surpreendente, os paulistas jogaram pimenta verde no caldo do Urubu. Com a ajuda da perna do Jailton, que fez um pênalti ridículo em Kleber.
Foi só o Alex Mineiro tirar o Bruno do lance e o empate estava selado. Eu, como um bom futebolista, sabia que esse 1X 1 não ficaria muito tempo. Se tem uma coisa chata e irritante, é um empate, Pior que isso, só hora do rush na Av.Brasil!!! E quem foi o responsável por não deixar o jogo cair no marasmo? Ele, o bonequinho da Bahia. Obina! Mas quem começaria a mostrar que era rei na tarde? Ibson, ele mesmo.
Eu já gosto dele desde 2004, acho que ele joga muito bem. Mas hoje? O que foi ele hoje...o cérebro do meio-de-campo, inteligente e goleador. E como ele é cria da Gávea, tá tudo em casa. Sem dúvida. Dentro da área, só dava ele, desorientando os zagueiros, deixando-os a verem porquinhos voadores. E fez o segundo, vibrando a plenos pulmões como Ulisses chegando em casa depois da Odisséia. Preciso comentar a reação da torcida? Os fogos, as duas cores pintando as arquibancadas, todos gritando que o Flamengo é um time de tradição e etc? Não, não preciso.
Passado o ótimo primeiro tempo, veio um segundo tempo de gala. Teve mais pressão flamenguista. O problema é que Obina não estava no dia de fazer gol [ele está em algum dia?] e errou duas bolas. Não tinha jeito, quem tinha que entra na área era o iluminado da tarde. Os iluminados. Por que Kléberson e Ibson estavam afinados na parceria em campo. Tanto que a dobradinha virou 3 X1, com mais um gol do Ibson.
Como nem tudo é só Flamengo, o Palmeiras aproveitou outra bobeada e fez três a dois. Seria o esboço de uma reação? Que isso! A dupla Kléberson-Ibson entrou em ação de novo e Ibson fez mais um golaço. Pronto, a vitória estava encaminhada e quase selada. Bastou mais um contra-ataque, um bate-rebate, e a dupla entrou em ação mais uma vez. Agora, foi o Kléberson quem fez o gol, selou a vitória e deu asas pro Urubu voar direto pra segunda posição da tabela. E se os amigos forem bem atentos, verão algo interessante.
O Flamengo começou o jogo em quinto. Ganhou de 5 x 2 e subiu pra segundo. É né...Quem quer saber disso? O pessoal agora só quer saber de fazer festa e sonhar com o título. Agora é seca-pimenteira em cima do Tricolor paulista. E meu Botafogo? Bem, perdeu de 3 x 0 pro Goiás, teve 2 expulsos e etc... Tá complicado. Que será que eles vão achar de um botafoguense falando do jogo do Flamengo? [Botafoguenses e flamenguistas, claro].
[Danilo Julião – 16-11-2008]
Obrigação do dia
Há 23 horas

Nenhum comentário:
Postar um comentário