sábado, 8 de novembro de 2008

Imaginário do Mundo - 2ª parte

SEGUNDA PARTE

O leito da cidade transfigurou-se num doce e azul infinito
Presente de visão longínqua na janela que a selva abre
Porta de entrada convidativa a um universo bendito
Em lugar de orgias filmadas,dívidas e guerras de sabre

Nem a peça da meteorologia impede este quadro de fotografia
Natural e delicada, sem a mão humana causando interferência
Céu e mar num desenho bicromático,brinde à luz do dia
E a prata da areia consegue captar a plena essência

O paraíso não se restringe ao brilho e banho solitários
Erguidas como troféus, palmeiras se destacam dançarinas
E a brisa marítima balança melenas de verdes primários
Nem os troncos firmes retiram delas suas formas femininas

Firmamento mudo cala minhas palavras tão ausentes
Emoção tão grande nos olhos de um ser taciturno
Às mazelas da existência, já andei e me perdi em mente
Qual caminhar sem pensamento num pensamento noturno

Grave silêncio contrasta com a natural apoteose
Que a imagem me proporciona à restrita imaginação
Óbvio nenhum me revela quão repleto de neurose
Vivi debaixo do ninho quente da civilização

Águas profundas se despem na cor submarina
Ondulações nervosas me afastam das tensões vãs
Entre os recifes, a vastidão do desconhecido que fascina
Recordações tristes apagadas pelos intensos afãs

A praia se rejuvenesce e se despede da minha companhia
Por que finita a viagem não se dá por nada
A voz do mar me revela canções de todo dia
Pondo-me em direção a uma nova estrada.

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