terça-feira, 25 de novembro de 2008

Meu Deus, não contenha a areia da ampulheta

Meu Deus, não contenha a areia da ampulheta
Para que me dês da clausura a chave de prata
Inebriado e perdido,dentro da gaiola letrada
Aleijado e insano,sem direito à loucura
Tenho de manter-me aqui e não a mil quilômetros
Destrinchar a carne versada em prato de ouro
Descobrir a psicologia freudiana de um torto
Enquanto nego a minha, louca e complexa

Exigem de mim a atenção completa
A concentração, no entanto, contenta-se fora
Nos riscos vindouros que reproduzem um eco
Calado pela mente fechada da aula
Analítico, disfarço dentro de mim o pranto
Que a falta de ar puro me causa e assola
Atrofia-me a massa cinzenta, os sentidos
Presos até que se faça aberta aquela porta

Desfaleço no chão, expirando fumaça de chumbo
Que meus pulmões e coração transformara em paredes de pedra
Rasgando a epiderme cinzenta e tensa
Ao ver o sorriso do Curinga e sua reprovação
Órgão mais vivo estou, diante da folha de papel
Fluida, etérea, pronta a receber signos de sangue
Construindo a história, qual lapidar uma jóia
Meu Deus, atrase quanto puder os frios ponteiros

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