domingo, 9 de novembro de 2008

Sombra vagante

Sombra vagante
Indo para longe do perto
Saibro avermelhado
Fumegante deserto
Abraça-lhe o calor
Da savana descampada
Um chamego brutal
No viajante com sede,
Exposto ao convívio
Da seara vermelha
Esfera escaldante
Planeta fervente
Círculo de rubi inflamado
Assassino
Marca-lhe a epiderme
Grita-lhe a língua
Clamando pelo verde
-Oásis! Oásis!Oásis!
A carne, respirando a morte
Continua a gritar, ensandecida
-Oásis! Oásis!Oásis!
No meio da terra seca
Brota o verdume
Palmeiras e babaçus
Um lago de água pura
Ondas de diamante
A cintilar na clara safira
Aplaca-lhe a sede
Beija-lhe os lábios
Brilho gelado e molhado
O bálsamo para suas feridas
Banho que aplaca o ardor
Verdade ou miragem
Da sua sensação febril?
Pesadelo nas pegadas
Sonho que o corpo vive
À noite, as areias azuis
Soterram o defunto quimerante
Exuberante delírio
Levou o espírito pela mão...

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