PRIMEIRA PARTE
Linhas tão pequenas e breves em intensidade
Palavras ressignificantes, brilhantes a cada segundo
Criam ao meu redor um vasto sentimento de perplexidade
Que me impede expressar neles o imaginário do mundo
Além do gasto, já velho e acabado horizonte
Cores famigeradas num efeito hipnótico sórdido
Quero meus pés me dirigindo ao outro lado da ponte
Longe, onde nem pensamentos me aproximem do aqui mórbido
Cadeia sombria e colorida, crepúsculo do abandono
Faz-se uma tragédia envolta no perfume do cenário
Paisagem do desenvolvimento, cujo efeito me enche de sono
Prédios que vêem minha recusa como registro hilário
Aura urbana, não em permites que eu cultive minha loucura
A única coisa que aceitas sem perguntar é o fruto do trabalho
Fortuna, deusa bela, a quem dedicas até mesmo uma escultura
Ao não beijar seus pés, censuras este meu ato falho
Flor de pedra de quem,com muito orgulho, sou filho pródigo
De ti me afasto,renegando concedidos os teus caprichos
Mando-te,num manto, escrito em sangue e a código
Abdico, de hoje em diante, o que me dás,que considero lixo
Viajante da escuridão, deixo o convívio com a nobreza
Percorrendo, meio forte meio covarde, os perigos da floresta
Pisando com violência nas flores do mal, nenhuma beleza
Arrancando qualquer raiz de outono malvado que resta
Da natureza,brotam mais invenções que nos minérios
Assim como o alvorecer, sinto meu renascimento
Sozinho, exploro nenhum e todos os lados desse mistério
Enquanto o sol brinda à minha vista num acontecimento.
Obrigação do dia
Há 23 horas

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