Sou navegante perdido nestes pedaços de água viva
Marejando entre cascatas de tédio e mares de cansaço
Buscando os rumos que nunca aprecem à minha frente
O equilíbrio do meu bombordo triste, que eu quero apagar
E o estibordo longínquo e por escrever, em linhas cheirando a maresia...
Sou navegação errante, ambulante, sôfrega de razão
Carregado pelas nuvens de inconseqüentes paixões
Onde o impulso se faz maior que o temor do proibido
Que tenta se apossar de cada pedaço de mim
Mais rápido que o fogo da ira, outra vertente que me consome
Por eu não saber o rumo certo pelo qual eu devo navegar
Embora eu tenha a ligeira impressão deste se revelar pra mim a todo instante
Como cortinas abertas pela brisa da noite...
Assim como ela, estou cego o suficiente para perder anos e léguas
A navegar em direção a lugar nenhum, sem solução, desconhecido
Encontrei nessa rota as mais variadas superfícies
Não me permitindo, porém, explora-las, suas pedras preciosas
Cores, visões, luzes, o entorno do tesouro que ficou pra trás
Vida vento leva em mares e marias profundos
Nauta perditus ego sum e nada lembro agora
Sem desejo, almejo, vejo, amo....
Sinto que a viagem foi uma perda de tempo
E as águas salgadas não me tocaram a alma
Só levo o sal das lágrimas que rolam
Pelo meu rosto arenoso e marcado de recifes
Onde rolam rios de tristeza, inundando de norte a sul
Todo o cais, enquanto sigo pelo oeste rumo ao crepúsculo.
Obrigação do dia
Há 23 horas

Um comentário:
Tenebroso, profundo e verdadeiro!
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