A névoa povoa o céu, esconde o poente claro
O relógio acusa o tempo, mais de cinco e meia
Apenas eu, a multidão aflita a caminho de casa
Mofando na avenida com nome de Brasil, tão imensa quanto
É o rush, é o cansaço, é o sono que me incomoda, e dormir eu não consigo
Dentro de um ônibus qualquer, em direção à zona da minha casa
Luzes dos carros, fumaça, o trânsito que vai - não vai
As crianças saindo da escola, a pracinha vazia
Os brinquedos da minha infância, agora vistos de longe
O trem seguindo lotado pelos trilhos de norte a sul
Metais nas mãos da cobradora, uma bela balzaca
Viadutos ligando o longe com o perto, o céu cinza anoitecendo
Luzes dos semáforos, buzinas, desaforos, vai mais depressa
Ainda quero ver a novela das sete, o telejornal, meu desenho preferido
Canto uma música pra passar o tempo e não adianta, ela acaba logo
Viro pro lado, fecho os olhos, me sacudo e nada do meu ponto chegar...
Enfim ele chega, eu desço do ônibus e sigo o resto do caminho a pé
Para o fim de mais um dia e do trajeto.
Obrigação do dia
Há 23 horas

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