sábado, 20 de setembro de 2008

Olhos que hão de ver O vazio de um oceano mal-feito

Olhos que hão de ver
O vazio de um oceano mal-feito
Feito às pressas, sem muita calma
Onde a água não acalma, nem agita
Nem aclama ou suscita um louvor qualquer
Águas desordenadas que vem e vão para um local
Que está além de tudo o que já vi ou senti
Será que ali estava o sonho que eu tivera outrora?
Só levo a certeza de estar além dos meus sentidos
Tão limitados por esse corpo acabado que arrasto pela vida
Onde as cores são calmas e aplacam uma alma nervosa
E o vento traz todos os azuis e verdes, pintando em paisagem
Como se compusesse uma sinfonia além dos ouvidos
Eu estar aqui parece inacreditável, inimaginável
Sentado numa relva oceânica, vendo os barcos navegarem
Brincarem nesse entardecer transcendental
Sem motivos, ou razão para ser
Só a beleza que nossos olhos não conseguem ver
Mas que a alma sente e traduz num infinito
Num único sussurro e não num grito
Vou, vou em direção ao paraíso
Acompanhar as embarcações
Rumo ao novo, desconhecido
Onde meus pés nunca me levaram
Não, vou de asas, num vôo livre
Sim, é o sonho que sempre sonhei.

Nenhum comentário: