Relíquias espalhadas pelas ruas
Enquanto cai a sombra noturna aos meus pés
Ando, figura soturna, carne cansada, pedindo descanso
Dessa rotina de zumbi que vaga sem parar
Rodeia sem prosear, incendeia o explorar, a pesar
Todo pesar, rimar, auto-esculachar, deturpar
Ocultar a verdadeira figura atrás de um riso falso
Pura máscara que esconde a infelicidade, os vícios
Poderosos, capazes de arrastar alguém para o poço
Refazendo o quadro expressionista que eu tanto temia ver
E agora, represento na forma e na essência completa
Não tenho palavras, só seqüência de sons bilabiais , labiodentais
Alveolares, inter-dentais, palatais, velares, glotais, nasais, oclusivos, fricativos
Africadas, líquidos, laterais e retroflexos que atravessam a glote
Sem significado algum, só uma reles mostra de quebranto
Que não pode ser curado, não tenho para quem correr
Ou não quero quem me socorra, prefiro morrer
Afundando no meio da rua escura, fria e o resto não sei...

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