segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Relíquias espalhadas pelas ruas

Relíquias espalhadas pelas ruas

Enquanto cai a sombra noturna aos meus pés

Ando, figura soturna, carne cansada, pedindo descanso

Dessa rotina de zumbi que vaga sem parar

Rodeia sem prosear, incendeia o explorar, a pesar

Todo pesar, rimar, auto-esculachar, deturpar

Ocultar a verdadeira figura atrás de um riso falso

Pura máscara que esconde a infelicidade, os vícios

Poderosos, capazes de arrastar alguém para o poço

Refazendo o quadro expressionista que eu tanto temia ver

E agora, represento na forma e na essência completa

Não tenho palavras, só seqüência de sons bilabiais , labiodentais

Alveolares, inter-dentais, palatais, velares, glotais, nasais, oclusivos, fricativos

Africadas, líquidos, laterais e retroflexos que atravessam a glote

Sem significado algum, só uma reles mostra de quebranto

Que não pode ser curado, não tenho para quem correr

Ou não quero quem me socorra, prefiro morrer

Afundando no meio da rua escura, fria e o resto não sei...

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