Nasci num dia em que os astros estavam de mal-humor
Por isso saí este pedaço de alma-sombra que todos conhecem
Quebra-cabeça humano cheio de percalços para ser montado
Coração alado disposto a correr em disparada pelo Universo
Cordação amarga da qual é sempre arrancada sua luz intensa
Louco para romper o cordão umbilical que me prende
À maldita placenta que me alimenta de toxinas
Fazendo serpentear e destilar veneno neste pequeno satélite
Luminoso por natureza, que almeja o horizonte distante
Fogo queima em meu ser querendo desesperando movimento
Correndo de vultos noturnos, Átropos que querem dar-me fim
Mal sabem que tenho cartas na manga, sou meu Laquesis
Não quero falsa vida, rosto feliz a dizer bom-dia
Enquanto me fazem morrer aos poucos, os loucos roucos
Quero cores e versos saindo de meus tortos desejos
Florescência vernal a virar a cabeça dos apaixonados
Calor estival a aquecer a alma dos praieiros e felizes
Vento outonal a arrancar as folhas velhas de todos
Frio hiemal a adormecer e fazer a todos renascer
Renascer, ressuscitar sair do meu corpo submisso
Outros nervos que se rasguem de tanta vida com muito ruído
Ser palácio de toda a poesia que ilumine e exalte a vida!
Rompido está o elo que me ligava a nada
Sangue negro escorre pelo chão frio,morre
Agora rios rubros e caudalosos correm, se esbarram
Cantam a vitória de um novo oceano desfronteiriço
O passado pode ser a arquitetura montada
Mas o agora é sempre hora de demolir e remontar
Obrigação do dia
Há 23 horas

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