Os versos escritos à mão
São o legado de uma época
Onde,à luz de velas
Em noites clandestinas
Manifestos reproduziam
Acordes de canções
Proibidas pela nobreza
A luta corpo a corpo
E através das palavras
Era e é impensável
Bocas lacradas
Sem reproduzir
A verdade fiel
E escrita com paixão
Ameaça para a lepra
Que consome fluida
A sociedade
Cega, enxergando neles
Inimigos cruéis
Lutam contra o tempo
Contra tudo e contra todos
Para que suas letras
Não caiam e formem
Coro submisso
Sem o menor proveito
Inútil duelo, é o que diz
A falsa nobreza
Que chafurda na lama
Cospe onde acaricia
A grande ilusão dela
É pensar que se trata
Do capital X social
Dobra-lhe os joelhos
Range-lhe os dentes
Com medo de que caia
A máscara bem-feita
Poetas, unam-se
Levantem os lápis,canetas
Penas e tinteiros
Num exército de um homem só
Cuja luta principal
É ferir com as palavras
A cruel ilusão
Que povoa nossos dias
De tempos a tempos
Há quem diga que é
Fuga da realidade
Escapismo tolo
Não é construção
De uma realidade
Somada à que vivemos.
Obrigação do dia
Há 23 horas

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